quinta-feira, 9 de julho de 2009

O meu relacionamento com agulhas sempre foi péssimo. O que eu sinto por elas não é nem medo, é fobia, um pavor enorme e inexplicável que me faz suar, tremer, chorar e dispara meu coração. Por isso, os únicos contatos que eu tive com agulhas foram forçados. Isso significa eu, em cima de uma cama, sendo segurado por três pessoas enquanto gritava e chorava loucamente.

Lógico que essas cenas deprimentes só aconteceram quando eu era criança. Depois que cresci, ninguém se atrevia a me segurar e eu passei a ter, finalmente, o poder de escolher se queria ou não me aproximar daquelas coisas medonhas. A ultima vez em que tomei uma vacina forçada foi em 2003 a segunda dose da Hepatite B. A infermeira tinha a mão tão pesada que minha vontade foi agarrar a cabeça dela e bater na parede. Ela pegou meu cartão de vacina e anotou uma data e falou comigo:

- Agora você volta em Julho para tomar a última dose.
- Ah, pode deixar... - eu disse porém prometi ali que não tomaria mais vacina alguma e que ninguém me obrigaria.

Porém nesta época eu havia feito um exame de sangue que constatou que eu estava com anemia, e eu teria que fazer o exame de novo depois do tratamento. E eu deveria escolher se fazia o tal exame. Irresponsabilidade ou não, eu, obviamente, escolhi ficar longe delas, o que me fez chegar à marca de 5 anos sem nunca ter feito um mero exame de sangue.

Até hoje não sei se o tratamento funcionou, porém creio que sim, uma vez que não tenho mais os sintomas da doença. Mas não vim falar sobre isso, vim contar o que aconteceu ontem comigo... e as agulhas.

Eu acordei cedo, com um excesso de coragem imenso. Foi aí que olhei meu cartão de vacina dentro da minha gaveta e pensei:

- Que isso Dih, é só uma vacina. Vai lá você consegue!

Fui tomar banho, peguei o cartão e fui para o posto de saúde do meu bairro. Sem medo algum... eram só agulhas e nada mais. Cheguei lá e a porta da sala das vacinas estava fechada. Respirei fundo e minha coragem aos poucos ia sumindo. eu olhava ansioso para o relógio, e os minutos passavam, nada de infermeira chegar para abrir a sala e então me aplicar aquela agulhada infernal.

Porém eu ia esperar, estava determinado! Até que uma mulher chegou e se postou atraz de mim.

- Você está esperando para se vacinar? - ela perguntou.
- Sim... Eu acho... - respondi mordendo o lábio.
- Você bateu na porta? Talvez a enfermeira esteja lá dentro... - Meu estomago revirou, eu ia ir embora, não iria conseguir. A mulher bateu na porta e ela se abriu.
- Você vai tomar vacina? - A enfermeira perguntou para a mulher e eu já me virava para ir embora, assim como minha coragem fizera.
- Não ele está na minha frente. - ela respondeu e eu me virei de volta para a enfermeira e entrei na sala. a perna estava bamba e eu tremia. Esta enfermeira parecia muito com aquela que me fez odiar ainda mais as agulhas.

Enfermeira: Trouxe seu cartão?
Eu: Sim, está a...aqui...quii.
Enfermeira: Puxa vc está com duas vacinas atrasadas... e ainda não tomou a da rubéola na época da campanha né?
Eu: Vou ser sincero com você. Morro de medo de agulhas, nem sei o que estou fazendo aqui...
Enfermeira: Você tem tatuagens?
Eu: Não.
Enfermeira: Então eu acredito. Bom você tem que tomar duas. uma no braço e outra no bumbum.
Eu: As duas no braço. Pode ser?
Enfermeira: Sim, mas é melhor...
Eu Beleza então pode ser no braço mesmo.

Ela pegou a primeira injeção e veio até meu braço diireito.

Enfermeira: Vamos relaxar né? É por isso que dói.
Eu: Como vc quer que eu relaxe?
Enfermeira: Esquece q vc tem o braço.
Eu: Se eu fizer isso vc esquece q eu tenho q tomar a injeção e me deixa ir? Não né? Aff...

Ela aplicou. A picada não doeu, mas eu senti o liquido entrando em minha veia... argh, é ruim até de lembrar.

Enfermeira: Viu? Num doeu nada.
Eu: É pq num foi em vc. ¬¬
Enfermeira: O que?
Eu: Não nada... só pensei alto.

Depois foi o braço esquerdo.
- Ui, credo! - A agulha era maior. - Vai rápido colega! Meu Deus, vai doer? - Ela sorria - Ai Jesus! Senti a picada!
Doeu bem mais que o primeiro, porém agora eu estava livre, ou melhor só tenho q tomar injeção em agosto agora...

Enfermeira: Seu braço vai doer por três dias tah? Mas é normal.
Eu: Ah tah.
Enfermeira: É sério.

Eu sai não acreditando nela. Mas quem avisa amigo é... Hoje já fazem dois dias que meu braço tah doendo, e eu mal consigo digitar... Malditas Agulhas!

5 Responses so far.

  1. Ná Lima says:

    hahahaha Di muito boa!!
    Se não fosse verdade diaria que era uma otima crônica sobr eum garoto que odiava agulhas!
    hahahaha
    adorreeeii!!

  2. Boa Di!!

    Agulha é foda, mas o pior problema com as agulhas, é ve-las...tipo, teve uma vez que eu simplesmente tomei 4 vacinas no mesmo dia...uma atras da outra, só que foi na bunda, ai é tranquilao.( apesar de eu ter acordado com uns caroços gigantescos atrás da orelha!)

    o negócio é ver a agulha entrando no seu braço... ai é osso, ai mata qualquer pessoa do coração!



    voce nao ta sozinho nessa,
    Vai pela sombra

    Caique Almeida
    http://rumborasocialclube.blogspot.com/

  3. Oi Diego,

    Será que tem alguém que gosta de vacinas, agulhas?
    Sei não! Vc e seu delírios...
    Gostei da forma com descreveu, tão real.
    Abraço cara.
    Jay

  4. me identifiquei com isso....

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